“Aparentemente séria, cara fechada, todos julgam como metida, nariz em pé, mal-humorada e etc. Mas não é assim e muitos nem lhe dão a oportunidade de mostrar.Calada, tímida, mas se conquista a amizade brinca e fala até demais. E é assim, e muitos não conseguem notar os seus medos e as suas dificuldades interiores. Como a própria avó já disse a alguns anos atrás: ” - Ela tem um olhar triste”. E quem melhor para a conhecer, se não a sua mãe duas vezes? E como dizem, o olhar muitas vezes vale mais do que mil palavras. Já ouvi dizer também que a aparencia muda, muitas vezes até o caráter, mas o olhar não. Talvez esse olhar triste ainda não tenha mudado, ou não vá mudar. Por trás desse olhar talvez enigmático existem medos, indecisões exageradas, sentimentos confusos, palavras que não foram ditas, palavras que magoaram. Mas existe também tanta alegria, gratidão e felicidade inexplicáveis, por isso talvez ninguém a entenda. Às vezes em um mesmo dia isso se alterne várias vezes. É chata. Prefere muitas vezes ficar calada do que compartilhar suas dificuldades, talvez porque não saiba explicá-las. Às vezes fica calada até demais guardando pra si muitas coisas e depois isso gera sentimentos ruins. Talvez porque pense que ninguém nunca vai entendê-la, ou achar que isso não é um problema, da mesma forma que muitas vezes ela pense assim das pessoas. Porque no fundo ela sabe que seus “problemas” são pequenos ou talvez nem sejam problemas. Pra maioria, é fria, sem emoção e sem graça. Não que ela seja realmente assim. É que ela simplesmente não sabe demonstrar e expor seus sentimentos e por isso, muitas vezes nem dá pra diferenciar quando ela tá feliz ou quando ela tá mal. Só realmente quem a conhece quase que pelo avesso, o que são poucos. Tem fé, mas sabe que precisa de uma quantidade muito maior de fé. Ama a Deus e busca e tenta servi-lo da forma mais sincera possível e pede a Ele que ajude ela a mudar todos os dias, mas sabe que isso não depende só dEle e sim dela querer também. Cheia de sonhos e vontades, muitas para ela inalcançáveis, muitos sonhos para ela frustrados. Não sabe falar não, muitas vezes é pessimista e tem medo de quando chega momentos de fazer escolhas, porque afinal, indecisão é o seu nome. Costuma sempre se achar incapaz, ruim demais pra tudo e que não sabe fazer nada. O nome disso pode ser comodismo, não sei. Odeia confusões e brigas, corre disso o máximo possível e faz de tudo pra que elas não aconteçam ou venham pro seu lado, e muitas vezes acaba não falando o que a pessoa precisava realmente de ouvir, por medo dela ficar com raiva. E isso não é bom.E nesse momento, está vendo que já não é mais uma criança e que ou outros não podem ser ela ou fazer tudo por ela, que é a vez dela correr atrás do que ela é, do que ela deseja ser. Tendo que tomar responsabilidades e talvez isso ajude a gerar confusão na sua mente. Sentimentos que precisam ser amadurecidos, outros deixados de lado. Muitas vezes acaba achando que vive num mundo que gira ao seu redor e as vezes se esquece de se preocupar com quem tá do seu lado. Sociável até certo ponto. Ama seus amigos, sua família, seu namorado, mas não faz questão de ter muitos "amigos" e muitas pessoas na sua vida, afinal acha que isso só gera falsidade e superficialidade. Vive oscilante entre a razão e a emoção. A verdade a confronta todos os dias e tenta sempre ouvir e corrigir mas infelizmente, tem dias que ela não dá ouvidos, o que não deveria ser assim. Não cria muitas expectativas a respeito de muita coisa, pra evitar decepções depois. Tá sempre meio desligada em relação a tudo que acontece ao seu redor.E é assim, sem explicação, talvez nunca tenha, talvez ela nunca saiba explicar, mas talvez ela se descubra algum dia, muitas em si mesmo, mas ao mesmo tempo única. Com qualidades e defeitos, talvez mas defeitos do que qualidades, mas é criação divina e sabe que estará sempre em obras, consertos, acabamentos. Essa pessoa sou eu, pelo menos eu penso que seja eu…”
- Thaís de Paula
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